Confesso-me adepta de experiências capilares.
Costuma dizer-se que as mulheres, assim que alguma coisa lhes corre bem ou mal na vidinha, correm para a mudança estética. Normalmente, por via capilar: corte de cabelo novo, madeixas, nuances, um qualquer apontamento
trendy.
Já fui, durante anos a mais, ortodoxa em matéria de cabelos. Contentinha com o que Deus me havia dado e os ditames da esquerda me ensinavam: massajar só o intelecto, nunca o couro cabeludo, que puxar lustro à vaidade externa é pecado mortal na cartilha da esquerda verdadeira.
Quando me livrei da ortodoxia, realmente passaram a preocupar-se mais com o meu ar mais ou menos aprumado, e a chamar-me mais vezes Barbie do que ratinho de biblioteca. Mas acho que o Pacheco Pereira, com aquela gigantesca biblioteca na Marmeleira que tanto publicita, não tem que se preocupar com a coloração capilar que Menezes lhe pinte. Nem
trendy, nem louro, nem nada de novo. Mas intelectual, sempre!
Já Menezes, que faz as vezes de 23 Barbies, 17 Kens e 12 Skipers (para os menos versados, a filha do casal Barbie+Ken), e pese embora a patente falta de cabelo, pode preocupar-se bastante mais com o balde de tinta que lhe caia em cima da cabeça. Ou não: pode ser que lhe disfarce as muitas carecas.